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sábado, 21 de junho de 2008

Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial,na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente:

não aceiteis o que é de hábito

como coisa natural,

pois em tempo de desordem sangrenta,

de confusão organizada,

de arbitrariedade consciente,

de humanidade desumanizada,

nada deve parecer natural

nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht

domingo, 15 de junho de 2008

Algumas causas para o outro lado do dia 13/06/2008

Acreditamos que este poema de Ferreira Gullar, ilustra algumas das causas que nos levaram a um outro 13/06, onde professores ( os funcionários públicos com salário de fome do poema - ou que não cabem no poema) foram manifestar e lutar por seus direitos desrespeitados na Praça da República e depois seguiram para a Av. Paulista.

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

GULLAR, Ferreira. “Não há vagas”.
In: Toda Poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980. p. 224